Alexandre Herculano de Carvalho Araújo, poeta, jornalista, historiador e político, nasceu em Lisboa a 28 de Março de 1810 e morreu em Vale de Lobo – Santarém a 13 de Setembro de 1877. Recebeu educação literária dos padres da Congregação do Oratório. Depois dos 14 anos, entrou para a Academia Real da Marinha onde recebeu diploma que lhe dava direito a frequentar a Aula de Comércio e inscreveu-se, também, na Aula de Diplomática. Esta instrução pouco sistemática foi talvez ampliada pelos seus esforços pessoais, sobretudo no domínio das línguas. Dificuldades económicas da família impediram-no de frequentar a Universidade de Coimbra. Alexandre Herculano deixou ensaios sobre diversas questões polémicas da época, que se somam à sua intensa actividade jornalística.
A parte mais significativa da obra literária de Herculano concentra-se em seis textos em prosa, dedicados principalmente ao género conhecido como narrativa histórica. Esse tipo de narrativa combina a erudição do historiador, necessária para a minuciosa reconstituição de ambientes e costumes de épocas passadas, com a imaginação do literato, que cria ou amplia tramas para compor os seus enredos. Dessa forma, o autor situa a acção num tempo passado, procurando reconstituir uma época. Para isso, contribuem descrições pormenorizadas de quadros antigos, como festas religiosas, indumentárias, ambientes e aposentos, topografias de cidades. São frequentes as intervenções do narrador, que tece comentários filosóficos, sociais ou políticos, muitas vezes relacionando o passado narrado com o quotidiano do século XIX. O trabalho literário de Herculano foi, juntamente com as Viagens na Minha Terra, de Garrett, o ponto inicial para o desenvolvimento da prosa de ficção moderna em Portugal. Algumas obras: Eurico, o Presbítero, Lendas e Narrativas, O Monge de Cister, O Alcaide de Santarém, …
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